03
Ago 07

Red Light é a voz dos sem-voz e das mulheres sem identidade

Índia: Prostitutas editam jornal para fazer ouvir a sua voz

Desafiando a marginalidade do bairro da luz vermelha (red light district) em Bombaim (Mumbai), um grupo de antigas prostitutas reúne-se todas as semanas num bordel para discutir as histórias que se publicaram nas páginas do jornal Red Light Despatch.
 

A história, divulgada pelo jornal espanhol El Mundo, a que o Diário de Notícias alude esta sexta-feira, tem como base o periódico indiano que nasceu há seis meses no bairro de Kamathiputra, um dos centros da vida nocturna da capital financeira da Índia.

 

«Proporcionar um plataforma de expressão para as prostitutas» é o objectivo, explica o jornalista Anurag Chaturvedi, editor da publicação.

 

«O Red Light é a voz dos sem-voz e das mulheres sem identidade, porque ninguém discute os sonhos, as agonias ou as nostalgias das prostitutas: motivo pelo qual contamos as suas memórias, frustradas pela violência e pobreza», defende Chaturvedi.

Publicação de mil exemplares, oito páginas, sem fotos e a preto e branco, o Red Light é editado em inglês, hindu e bengali (idioma oficial do Bangladesh) e já ultrapassou as fronteiras de Kamathiputra.

 

Fonte: Diário Digital

publicado por dina às 08:20 | comentar | favorito
15
Jul 07

Film lovers will love this

A União Europeia criou o seu próprio canal no YouTube , com o objectivo de lançar diversas campanhas em vídeo.

A última, a qual está a dar maior polémica, é a promoção do cinema europeu. Foram criados alguns vídeos promocionais com abordagens diferentes: um apenas com imagens de riso e felicidade (Alegria), outro só com imagens tristes (Tristeza) e outro só com imagens sobre o amor, mas com claras conotações sexuais (Amizade e Amor). E é por este último, por causa de um vídeo de 44 segundos, que a polémica se instalou.

Porém, a polémica instalou-se por causa da publicação de uma notícia no jornal "Sunday Times " a 1 de Julho, em que comparava Paris Hilton ao cinema europeu. A comparação foi de muito mau gosto por parte deste meio de comunicação social: com um vídeo na net, Paris Hilton conquistara a sua "fama"; pela mesma via, a União Europeia estaria coberta de "ridículo". Ora sendo que aquela senhora do "jet set" internacional nada fez para merecer (a não ser o vídeo pólémico de cenas de sexo com antigo namorado...) tanta atenção dos meios de comunicação social , ao contário do cinema europeu, que se encontra altamente bem cotado nos principais festivais internacionais de cinema, é de estranhar. Sim, porque as cenas de sexo que o vídeo mostra provêm de sete grandes fenómenos do cinema europeu, incluindo Ondas de Paixão, de Lars von Trier, O Fabuloso Destino de Amélie, de Jean-Pierre Jeunet, e Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci.

 

Alegria (What a joy)

 

Tristeza (Tapping into the talent)

 

 

Amizade e Amor (Film lovers wil love this) 

NOTA: A campanha está inserida num programa de revalorização do património cultural europeu e é pública desde Fevereiro, altura em que foi apresentada (aliás com grande reconhecimento público) no Festival de Berlim.

publicado por dina às 23:53 | comentar | favorito
20
Jun 07

Cada vez mais há jornalistas exilados

A Associação dos Jornalistas Sem Fronteiras denunciou no dia 3 de Maio, no Dia da Liberdade de Imprensa, que centenas de jornalistas da África Sub-sariana, especialmente do Zimbabué, foram obrigados a abandonar os seus países devido à repressão.
O Zimbabué é o país com mais jornalistas exilados nos últimos anos, com 48 casos conhecidos, à frente da Etiópia com 34, da Eritreia com 19, da Colômbia com 17 e do Uzbequistão com 16. Desde 2001 que 243 jornalistas, de 36 países, pediram exílio para escapar a violência, ameaças de morte ou perseguições. Os países que mais jornalistas exilados receberam foram os Estados Unidos, Reino Unido, Quénia e Canadá.

As principais causas do exílio são ameaças de violência ou morte (94 casos), detenção ou possibilidade de detenção (76) e assédio (73).

Nos seus países de acolhimento, a larga maioria dos jornalistas não consegue dedicar-se à sua profissão e apenas 30 por cento se mantêm na actividade.

«O facto de que, em dois de três casos, os jornalistas exilados acabem fora da profissão facilita que se cumpra finalmente o trabalho daqueles que procuram o silêncio da imprensa», refere o director da Comissão de Protecção do Jornalista, Joel Simon .

Do total de exilados desde 2001 apenas 34 conseguiram regressar ao seu país de origem.


O Zimbabué, país onde a repressão contra os jornalistas é mais preocupante, os órgãos de comunicação social independentes estão a ser "amordaçados". O Governo daquele país obriga os profissionais dos órgãos de comunicação do país a trabalhar para a Organização Central de Inteligência. Os jornalistas zimbabueanos exilados tiveram que deixar de exercer a sua profissão e abandonar o país devido às medidas ditatoriais impostas e agora vivem na pobreza.

A Associação dos Jornalistas Sem Fronteiras refere igualmente que todos os meses são detidos jornalistas no Zimbabué.

Actualmente, quatro jornalistas estão presos e não estão a ser dadas licenças para o exercício da profissão, apesar das faculdades de jornalismo no país continuarem a formar centenas de estudantes...

 

No caso da Colômbia, através do testemunho da repórter Jenny Manrique , sabe-se que ela abandonou o país no ano passado em consequência das ameaças que recebeu de grupos paramilitares. As milícias da região de Bucaramanga, onde vivia a jornalista, não gostaram das suas reportagens. Primeiro, ela precisou se mudar para Bogotá, e depois teve que a abandonar Colômbia.

 

publicado por dina às 21:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
02
Jun 07

Globovisón

Em seguimento ao post anterior, sobre a ameaça à Globovisión , uma jornalista desse canal e que é uma das personalidades mais conhecidas da televisão venezuelana, fez algumas declarações sobre este assunto polémico que assola a Venezuela.

In D. N. (excertos da notícia) 
A principal pivot da Globovisión , Gladys Rodrígues , afirmou ontem à agência Lusa que "o fecho da RCTV representa mais um passo de Hugo Chávez rumo à monopolização do espaço informativo do país".

Após o fecho da RCTV, Gladys Rodrígues explicou à Lusa que, na Globovisión , sentem "o peso e a responsabilidade" de serem agora a única voz independente no panorama televisivo do país.

A pivot diz que o número de manifestações que ocorrem em todas as cidades é muito elevado. "Tal é a quantidade de manifestações por causa do encerramento da RCTV que não conseguimos dar vazão às informações que nos chegam a cada momento", diz .

E criticou ainda os outros dois canais privados, a Venevisión e a Televen que, "com medo de que lhes aconteça o mesmo, têm vindo a procurar agradar ao governo, evitando dar cobertura às manifestações".

Gladys Rodrígues confessa estar "profundamente envolvida" na organização Jornalistas Unidos pela Liberdade de Expressão, que foi criada depois do governo venezuelano ter anunciado a sua decisão de não querer prolongar a licença da RCTV .

"É um movimento sem partido cuja única finalidade é defender a liberdade de informação. Somos independentes, não estamos ligados a quaisquer interesses políticos e empresariais, apenas ao compromisso de defender a liberdade", referiu a pivot da Globovisión .
publicado por dina às 12:28 | comentar | favorito
30
Mai 07

Lutar, lutar e lutar

Apesar do fecho no passado domingo das instalações da RCTV , depois da revogação da licença de transmissão, os elementos da Direcção de Informação continuam a trabalhar.

Agora, o trabalho dirige-se à emissão via internet, para uma estação colombiana e para a Telemundo , canal de notícias em espanhol dos EUA.

A empresa possui dois canais de rádio que continuam em funcionamento, um em Onda Média, exclusivamente dedicado à informação, e o outro em Frequência Modulada (FM), vocacionado para a juventude.

publicado por dina às 20:41 | comentar | favorito
29
Mai 07

Liberdade? Que liberdade?

 

As notícias que têm marcado por estes dias, intervenho por mim, são as referentes ao fecho da RCTV (Rádio Caracas Televisión ), na Venezuela, e que já transmitia há mais de cinco décadas.
Por capricho e por cobardia, Hugo Chávez decidiu não renovar a licença de transmissão a este canal privado.

As instalações da RCTV foram imediatamente ocupadas pelas TVes Televisora Social Venezuelana), canal publico, que favorece a imagem de Hugo Chávez . Se esta última foi inaugurada sob fogo de artifício, a outra foi fechada sob fortes protestos, em que os seus defensores gritavam LIBERDADE.
A RCTV dedicou, as suas últimas horas de emissão, a recordar os 53 anos de história daquela estação privada. Nos minutos finais, a partir dos estúdios, directores e trabalhadores do canal, artistas e jornalistas de diferentes meios de comunicação social, rezaram pela «liberdade» e transmitiram o vídeo «quando um amigo se vai (embora)».

Os estúdios da RCTV , a única que alinhava com a oposição a Chávez e que emitia a nível nacional, estavam dominados por um sentimento de tristeza.

 

Presidente do Chile apela à liberdade de expressão
A liberdade de expressão é uma «regra de ouro», declarou hoje Michelle Bachelet , presidente do Chile, reagindo desta forma ao encerramento da RTCV .

Bachelet   recordou a ditadura do general Augusto Pinochet , que ela própria sentiu na pele, afirmando que «tendo em conta a sua história política, para o Chile, a liberdade de expressão é a regra de ouro».

O tom entre Santiago do Chile e Caracas subiu recentemente, quando senadores chilenos denunciaram as ameaças contra a cadeia de televisão RTCV e Chavez os apelidou de «fascistas». Mas os presidentes já resolveram estes diferendos através de um encontro...

 

Em pleno século XXI continuamos a verificar que não aprendemos com os erros e que os responsáveis pelos países continuam a esquecer-se que não se pode a calar a voz de um povo.

publicado por dina às 20:02 | comentar | favorito