Cada vez mais há jornalistas exilados

A Associação dos Jornalistas Sem Fronteiras denunciou no dia 3 de Maio, no Dia da Liberdade de Imprensa, que centenas de jornalistas da África Sub-sariana, especialmente do Zimbabué, foram obrigados a abandonar os seus países devido à repressão.
O Zimbabué é o país com mais jornalistas exilados nos últimos anos, com 48 casos conhecidos, à frente da Etiópia com 34, da Eritreia com 19, da Colômbia com 17 e do Uzbequistão com 16. Desde 2001 que 243 jornalistas, de 36 países, pediram exílio para escapar a violência, ameaças de morte ou perseguições. Os países que mais jornalistas exilados receberam foram os Estados Unidos, Reino Unido, Quénia e Canadá.

As principais causas do exílio são ameaças de violência ou morte (94 casos), detenção ou possibilidade de detenção (76) e assédio (73).

Nos seus países de acolhimento, a larga maioria dos jornalistas não consegue dedicar-se à sua profissão e apenas 30 por cento se mantêm na actividade.

«O facto de que, em dois de três casos, os jornalistas exilados acabem fora da profissão facilita que se cumpra finalmente o trabalho daqueles que procuram o silêncio da imprensa», refere o director da Comissão de Protecção do Jornalista, Joel Simon .

Do total de exilados desde 2001 apenas 34 conseguiram regressar ao seu país de origem.


O Zimbabué, país onde a repressão contra os jornalistas é mais preocupante, os órgãos de comunicação social independentes estão a ser "amordaçados". O Governo daquele país obriga os profissionais dos órgãos de comunicação do país a trabalhar para a Organização Central de Inteligência. Os jornalistas zimbabueanos exilados tiveram que deixar de exercer a sua profissão e abandonar o país devido às medidas ditatoriais impostas e agora vivem na pobreza.

A Associação dos Jornalistas Sem Fronteiras refere igualmente que todos os meses são detidos jornalistas no Zimbabué.

Actualmente, quatro jornalistas estão presos e não estão a ser dadas licenças para o exercício da profissão, apesar das faculdades de jornalismo no país continuarem a formar centenas de estudantes...

 

No caso da Colômbia, através do testemunho da repórter Jenny Manrique , sabe-se que ela abandonou o país no ano passado em consequência das ameaças que recebeu de grupos paramilitares. As milícias da região de Bucaramanga, onde vivia a jornalista, não gostaram das suas reportagens. Primeiro, ela precisou se mudar para Bogotá, e depois teve que a abandonar Colômbia.

 

publicado por dina às 21:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito