V for Vendetta

 

V for Vendetta é uma série de histórias em quadrinhos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd.

No ano passado, apareceu nos cinemas a adaptação desta banda desenhada. Protagonizada por Hugo Weaving (Matrix) e Natalie Portman (Star Wars), o filme não foi um sucesso estrondoso de bilheteira, mas sinceramente aconselho a ver. Tive a oportunidade de ver hoje o filme e para quem tem gosta de temas como as sociedades totalitárias, é fantástico visualizar o filme.

 

É de facto um filme de acção produzido pelos irmãos Wachowski, mas faz-nos questionar sobre diversos assuntos, o que não é habitual para um filme deste género.

V for Vendetta passa-se num futuro totalitário, desta feita no Reino Unido, depois de uma grande guerra, que destrói o grande país que é os EUA.  

Uma das imagens iniciais do filme começa com Evey (Natalie Portman ) a não cumprir o recolher obrigatório e ficando numa situação perigosa, arriscando-se a ser violada e/ou morta. É salva então por um homem mascarado, que se intitula por V (o fantástico Hugo Weaving ).

No fundo, V é fruto de uma sociedade totalitária (como já é habitual em todas as histórias que abordam este tema) e que se insurge contra o silencio e quietude das pessoas, imposta pelo governo. Inicia uma vingança de um ano, que tem início no dia 5 de Novembro, data marcada pela morte de Guy Fawkes , um reformista católico, que tentou rebentar as Casas do Parlamento em Westminster, e assim assassinar o rei protestante.

Duas ideias principais do filme: uma é a que V faz passar, de que o povo não deve temer o governo, mas sim o inverso e a segunda é a de que os media são o forte aliado do governo totalitário (no nosso caso actual, de um governo democrático, definição dúbia).

 

Sem querer revelar muito mais da história para quem quiser ver, há no entanto diversas imagens que devem ser realçadas:

- herói ou terrorista? V é um homem que tenta derrubar o governo totalitário, mas que usa a força para atingir o seu objectivo. Há uma ténue fronteira nesta distinção, que será mais adequado ser deixado ao critério do espectador decidir qual V é. Há uma imagem de V em que ele aparece com explosivos agarrados à volta do peito, lembrando na perfeição os terroristas islâmicos que nos assombram nos dias de hoje;

- Natalie Portman  é uma actriz nascida em Israel; 

- ela aparece de cabeça rapada, depois de ter sido "processada", fazendo recordar as imagens que temos dos campos de concentração, depois de ter sido presa pela polícia secreta de Sutter (chanceler britânico, o poder máximo daquela sociedade);

- é através da personagem de Natalie Portman , a Evey , que entretanto por força das circunstâncias se torna o braço direito de V, que se questiona se a violência pode ser justificada e se os actos terroristas são apenas o reflexo de ideiais reprimidos durante décadas;

- há ainda referencia à opressão das minorias religiosas e aos homossexuais;

- não escapam também referências a dois marcos do tempos que correm: a bandeira do nazismo e o livro do Alcorão.

 

Não comento a realizção e produção do filme, apenas quero realmente falar sobre o tema do filme. Estava com alguma expectativa sobre o filme e de facto surpreendeu-me pela positiva.

Não conheço a BD, mas quem tiver a oportunidade de ler livros que abordem este tema (sociedades totalitárias) deixo aqui algumas indicações: "1984" de George Orwell, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Fahrenheit" de Ray Bradbury.

 

   

publicado por dina às 00:49 | favorito
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