"O Primeiro de Janeiro" em risco iminente de fechar

 

Não é com grande pesar, apenas com alguma surpresa, que noticio que o jornal nortenho "O Primeiro de Janeiro" não irá publicar as suas edições em Agosto e as probabilidades de voltar em Setembro são escassas. O pesar é pouco porque já lá trabalhei e as condições de trabalho são péssimas, a surpresa é alguma porque quem gere aquilo apenas se interessa por dinheiro e não exactamente pela informação que deve dar...

 

Notícia do Portugal Diário:

Na reunião de urgência na redacção do «Primeiro de Janeiro», a direcção do jornal colocou em cima da mesa a proposta já adiantada pelo PortugalDiário: suspender a circulação durante o mês de Agosto e tentar regressar em Setembro. O fim «embrulhado» em remodelação, segundo foi possível apurar junto de pessoas próximas do processo.

 

 

Os mais de 30 jornalistas redigiram aquela que pode ser a última edição deste diário centenário, uma vez que a possibilidade de regresso é pouco credível para os próprios, pelo menos no mesmo formato.

A directora do jornal, Nassalete Miranda, presidiu à reunião, já que o proprietário do «Primeiro de Janeiro», Eduardo Costa, não esteve presente. Nassalete não quis prestar declarações no final.

De fora desta reunião estiveram os jornalistas do «Norte Desportivo» e dos suplementos de publicidade, pelo que não foi possível apurar o futuro destas publicações. Em princípio, deverão continuar, com um novo grafismo, até porque a publicação desportiva passou recentemente para mãos de outros proprietário.

Aos trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» foi prometido o pagamento do mês de Julho, não sendo salvaguardadas mais nenhumas contrapartidas, como indemnizações ou subsídios de férias. Haverá situações diversificadas, mas o panorama na redacção é de «perplexidade» e mesmo «algum pânico», segundo confessaram.

Na reunião, a directora justificou que os trabalhadores vão embora para seja accionado o fundo de garantia salarial. No entanto, segundo o Sindicato dos Jornalistas, esse fundo só pode ser accionado se a empresa for apresentada à insolvência ou tiver sido iniciado um procedimento de conciliação junto do IAPMEI.

 

Sindicato diz que é ilegal

Em comunicado divulgado logo após os trabalhadores terem sido informados do fecho do jornal, o Sindicato dos Jornalistas alertou os mais de 30 jornalistas e restantes trabalhadores afectados para o facto de que a administração do matutino portuense não pode «encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias».

O SJ, que vai pedir a intervenção imediata das autoridades competentes, apela aos jornalistas para que «não abandonem os seus postos de trabalho e para que continuem a comparecer na Redacção (sob pena de caírem na armadilha do despedimento por faltas injustificadas!), lutando pelos seus direitos e pela viabilização do jornal».

«O SJ vai solicitar a intervenção imediata da Inspecção do Trabalho, bem como uma reunião com a Administração com carácter de urgência», lê-se também no comunicado.

 

«O jornal está a ser mal gerido»

A poucos metros da redacção, um quiosque ainda exibia a edição desta quinta-feira do «Primeiro de Janeiro». O proprietário, Fernando Sabino, disse ao PortugalDiário que estava à espera deste desfecho.

«Lamento imenso caso feche mesmo, porque é um jornal importante na cidade e eu até o vendo bem aqui. No entanto, acho que está a ser mal gerido», afirmou.

Segundo o proprietário, este quiosque forneceu a redacção de jornais durante «muitos anos». «Deixei de os fornecer porque me ficaram a dever uma quantia irrisória - cerca de cinco euros -, mas não me pagavam. Eu fui lá e acabei com o fornecimento», garantiu



 

 

publicado por dina às 20:37 | comentar | favorito
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